10 de abril de 2015

Calendário Bíblico - parte 1

Muito bem! Inicio de ano, muitos de nos ganhamos como "brinde" em supermercados, farmácias, lojas de conveniências, o tão esperado Calendário e, quase sempre, vamos logo verificando os feriados e datas comemorativas.

Logo localizamos o dia do aniversário dos amigos, filhos, familiares, a data da festa de casamento, festa do Congresso na Igreja, do Batismo, do Evangelismo, o dia que começa o verão, o inverno, e tantas outras tão marcantes.
Como é envolvente a programação. Tenho certeza que você já está com o seucalendário bem próximo de sua mesa de trabalho ou então, bem visível por sobre o balcão na sua cozinha. É; não tem jeito, sempre estamos com um calendário por perto.

Mas será que a Bíblia nos mostra um "calendário" em suas narrações?

Atualmente, universalmente é utilizado o Calendário Gregoriano, mas:
- e nos tempos Bíblicos, os anos eram de 10 meses ou de 12 meses?
- como surgiu o Calendário?
- Anno Domini - Era Cristã?

Aproveitando a curiosidade, como de costume, vamos dar uma "volta" aos arredores do conhecimento e descobrir um pouco sobre este tão importante "orientador" da sociedade.
De certo que, não abordaremos sobre os diversos calendários existentes, ou melhor, que algumas nações seguem(seguiam) pois precisaríamos de muitos artigos mas, acredito que o exposto poderá nos servir e enriquecer nosso saber!

Calendário, vejamos como este conjunto de unidade de tempo (dias, meses, estações, ano), organizados com o propósito de medir e registrar eventos ao longo de "grandes períodos" vem desempenhando um papel considerável e tão significativo para todos nós.

Calendários Antigos - A História.

Os mais primitivos calendários do velho Continente de que a História nos proporciona uma informação concreta, são o hebreu e o egípcio. Ambos tinham um ano civil de 360 dias.

Não satisfeitos com o ano de 360 dias, estes povos procuraram aperfeiçoar o seu calendário, embora seguindo caminhos diferentes. Os hebreus voltaram-se para o sistema luni-solar, ajustando os meses com o movimento sinódico da Lua e coordenando o ano com o ciclo das estações. Por sua vez, os egípcios abandonaram por completo o sistema lunar para seguir unicamente o ciclo das estações, tal como as observavam no Egito, visto desconhecerem ainda a duração do ano trópico.

Os gregos estabeleceram um ano lunar de 354 dias, que dividiram em 12 meses de 30 e 29 dias, alternadamente. Por conseguinte, tinha menos 11 dias e 6 horas do que a ano trópico, sendo necessário fazer intercalações para estabelecer a devida correspondência.

Na tradição Romana, a origem da construção dos calendários civis se confunde com as origens da cidade de Roma (753 a.C.), sendo atribuída a Rômulo, fundador lendário de Roma, a introdução do primeiro calendário romano.
No primitivo calendário romano, o ano tinha 304 dias distribuídos por 10 meses. Os 4 primeiros tinham nomes próprios dedicados aos deuses da mitologia romana e provinham de tempos mais remotos, em que, provavelmente, se aplicaram às 4 estações; os 6 restantes eram designados por números ordinais, indicativos da ordem que ocupavam no calendário.
O ano começava com Martius (Março), o segundo era Aprilis, o terceiro Maius, o quarto Junius, o quinto era Quintilis, o sexto era Sextilis, o sétimo September, o oitavo era October, o nono era November e por fim o décimo era chamado de December.
Os períodos que nele eram definidos não possuíam quaisquer relações com movimentos do Sol ou da Lua.

O calendário de Rómulo foi reformulado por Numa Pompílio, o segundo Rei de Roma (715-673 a.C), o qual, seguindo o exemplo dos gregos, estabeleceu o ano de 12 meses. Um calendário com base astronômica solar, composto de 355 dias. Por considerar meses com dias pares “azarados”, diminuiu um dia a cada um dos seis meses de 30 dias. A estes 6 dias juntou mais 50, formando dois novos meses, Januarius e Februarius, sendo em primeiro lugar o mês de Januarius, dedicado a Jano, e em último lugar o mês de Februarius, dedicado a Februa (deuses romanos)
Os romanos cada vez mais sentiam a necessidade de coordenar o seu ano lunar com o ciclo das estações e estabeleceram um sistema solar-lunar rudimentar, introduzindo no seu calendário, de dois em dois anos, um novo mês, Mercedonius, cuja duração era de 22 ou 23 dias. Dessa forma, existia um ano de 377 dias e outro de 378 entre dois anos com 355 dias. A desordem foi tanta (conchavos políticos, interesses próprios e poder) que chegou ao ponto de o começo do ano estar adiantado cerca de 3 meses em relação ao ciclo das estações. Foi então que Júlio César, ao chegar ao poder, entrou com a tentativa de acabar com o problema, ordenou que aquele ano (46 a.C.), além do Mercedonius, existiriam mais 2 meses – um de 33 e outro de 34 dias – resultando em um ano civil de 445 dias, o maior de todos os tempos. Este ficou conhecido como o Ano da Confusão. Depois disso foi adotado o calendário solar - o Juliano.

O calendário conhecido por Juliano, de Júlio César, que começou a vigorar no ano 709 de Roma (45 a.C.), mediante um sistema que devia desenrolar-se por ciclos de quatro anos, com três comuns de 365 dias e um bissexto de 366 dias, a fim de compensar as quase seis horas que havia de diferença para o ano trópico. Suprimiu-se o Mercedonius e Februarius passou a ser o segundo mês do ano.
Júlio César, após ser assassinado em 44a.C., foi homenageado e, para isso, lhe foi reservado o mês de Julius, antigo Quintilis.
César Augusto (44a.C.-37d.C.) o imperador, foi homenageado com seu nome no lugar do oitavo mês, Sextilis, passasse a chamar-seAugustus, porque durante este mês começou o imperador César Augusto o seu primeiro consulado e pôs fim à guerra civil que desolava o povo romano, e para que o mês dedicado a César Augusto não tivesse menos dias do que o dedicado a Júlio César, ambos teriam 31 dias.

O calendário gregoriano é um calendário de origem européia, utilizado oficialmente pela maioria dos países. Foi promulgado pelo Papa Gregório XIII (1502-1585) em 24 de Fevereiro do ano 1582 em substituição do calendário Juliano. Como convenção e por praticidade o calendário gregoriano é adotado para demarcar o ano civil no mundo inteiro, facilitando o relacionamento entre as nações. Essa unificação decorre do fato de a Europa ter, historicamente, exportado seus padrões para o resto do globo.

O Papa Gregório XIII reuniu um grupo de especialistas para corrigir calendário juliano. O objetivo da mudança era fazer regressar o equinócio da primavera para o dia 21 de março e desfazer o erro de 10 dias existente na época. Após cinco anos de estudos, foi promulgada a bula papal Inter Gravissimas.
Foi ordenado que a quinta-feira, 4 de outubro daquele ano, fosse imediatamente seguida da sexta-feira 15; suprimiu a seguir os anos bissextos seculares, salvo aqueles cujo milésimo seja divisível por 4, criando, assim, o calendário gregoriano. Há ainda um erro de um dia em 4.000 anos.

As mudanças:
Foram omitidos dez dias do calendário juliano, deixando de existir os dias entre 5 a 14 de outubro de 1582. A bula ditava que o dia imediato à quinta-feira, 4 de outubro, fosse sexta-feira, 15 de outubro.
Os anos seculares só são considerados bissextos se forem divisíveis por 400. Desta forma a diferença (atraso) de três dias em cada quatrocentos anos observada no calendário juliano desaparecem.
Corrigiu-se a medição do ano solar, o ano gregoriano dura em média 365 dias, 5 horas, 49 minutos e 12 segundos, ou seja 27 segundos a mais do que o ano trópico (período de translação da Terra).

O calendário gregoriano pode ser considerado de uso universal. Mesmo aqueles povos que, por motivos religiosos, culturais ou outros, continuam agarrados aos seus calendários tradicionais, utilizam o calendário gregoriano nas suas relações internacionais.

A mudança para o calendário gregoriano deu-se ao longo de mais de três séculos.

Primeiramente foi adotado por Portugal, Espanha, Itália e Polônia; e de modo sucessivo, pela maioria dos países católicos europeus.
Os países onde predominava o luteranismo e o anglicanismo tardariam a adotá-lo, caso da Alemanha (Baviera, Prússia e demais províncias) (1700) e Reino da Grã-Bretanha (Inglaterra, País de Gales e Escócia) (1752).
A adoção deste calendário pela Suécia foi tão problemática que até gerou o dia 30 de fevereiro.
A China aprova-o em 1912, a Bulgária em 1916, a Rússia em 1918, a Roménia em 1919, a Grécia em 1923 e a Turquia em 1926.

Quadro demonstrativo:

Fatos consideráveis:
Outros calendários apontam anos diferentes em comparação ao calendário gregoriano. Estamos, ao realizar esta pesquisa, em 01/01/2013, terminou-se 2012 iniciou-se 2013. Vejamos esta data nos outros calendários:
Ab urbe condita 2766;
Calendário Babilônico 6763;
Calendário bahá'í 169–170;
Calendário budista 2557;
Calendário hebreu 5773–5774;
Calendário hindu Vikram Samvat 2069–2070;
Calendário hindu Shaka Samvat 1935–1936;
Calendário hindu Kali Yuga 5114–5115;
Calendário Holoceno 12013;
Calendário iraniano 1391–1392;
Calendário Islâmico 1434–1435

O QUE É:
Ano Trópico, também chamado ano das estações ou ainda ano solar, é o intervalo de tempo que a Terra leva a realizar uma volta aparente em torno do Sol (consequência da translação do planeta), ou seja, é o período de translação da Terra.

Equinócio (equinócio da primavera)
Ao medir a duração do dia, considera-se que o nascer do Sol (alvorada) é o instante em que metade do círculo solar está acima do horizonte, e o pôr do Sol (crepúsculo) o instante em que o círculo solar está metade abaixo do horizonte. Com esta definição, o dia e a noite durante os equinócios têm igualmente 12 horas de duração.
Os equinócios ocorrem nos meses de março e setembro quando definem mudanças de estação.
Em março, o equinócio marca o início da primavera no hemisfério norte e do outono no hemisfério sul. Em setembro ocorre o inverso, quando o equinócio marca o início do outono no hemisfério norte e da primavera no hemisfério sul.
As datas dos equinócios variam de um ano para o outro, devido aos anos trópicos.

Anno Domini (termo em Latim que significa: "ano do Senhor"), também apresentado na sua forma abreviada A.D., é uma expressão utilizada para marcar os anos seguintes ao ano 1 do calendário mais comumente utilizado no Ocidente, designado como "Era Cristã" ou, ainda, como "Era Comum" (esta última designação é a preferida por quem tenta evitar referências religiosas).
A datação Anno Domini só foi adotada na Europa Ocidental a partir do século VIII. Tal como os outros habitantes do Império Romano, os primeiros cristãos usavam diversos métodos para especificar os anos, inclusive no mesmo documento. Tal redundância tornou-se útil para os historiadores que puderam, assim, elaborar tabelas comparativas de reinados e outros períodos políticos, com dados de crônicas de diferentes regiões, sob os mesmos governantes.

Anno urbis conditae
Outro método de datação, raramente usado, consistia no anno urbis conditae, ou "no ano da fundação da Cidade" (abreviadamente, AUC), sendo "a Cidade" Roma. (Note-se que, apesar de ser uma confusão freqüente, a abreviatura AUC não significa exatamente ab urbe condita, que é o título da História de Roma escrita por Tito Lívio, e que se adoptou para nomear esta era). A data da fundação de Roma era disputada entre os próprios romanos, mas os historiadores modernos adotam, geralmente, a data proposta por Varrão, de 753 a.C..
No início do século V, o historiador ibério Orósio usava a era ab urbe condita. O papa Bonifácio IV, no início do século VII, terá sido o primeiro a utilizar, simultaneamente, esta forma de datação, e o Anno Domini, equivalendo a data de 607 d.C. = 1360 anno urbis conditae.

- continuação do assunto em "Curiosidades" 
Calendário Bíblico - parte 2

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